
Por Daniel De Nardi
A contemplação é um ato que acompanha o ser humano desde tempos remotos. Os povos sedentários – que habitavam um único terreno e nele permaneciam por muito tempo – possuíam este importante hábito. Uma vez que não pretendiam se deslocar, dispunham do tempo que precisassem para se deslumbrar com as maravilhas do mundo.
Observando por um longo período tudo o que estava à sua volta, os antigos conseguiam atingir uma percepção mais aguçada do Universo. Pois chegar à essência das coisas depende de muita atenção focada sem ser influenciado por qualquer outro estímulo.
A cultura da contemplação começou a ser prejudicada a partir do momento em que os povos nômades foram ganhando mais espaço na Terra, entre 4400 e 2900 a.C. época em que os agricultores da Mesopotâmia, Egito e Noroeste da Índia sofreram três invasões de pastores das estepes ou povo Kurgo. Estabelecendo-se nos locais apenas o tempo em que as reservas naturais preenchessem suas necessidades, esses ambulantes não pensavam no longo prazo, seja para construir uma civilização ou muito menos para gerar riquezas e tecnologias. Preferiam adotar uma atitude mesquinha de tomar dos que não eram exímios na arte bélica. E foi justamente essa necessidade de deslocamento dos povos o primeiro motivo que fez a pressão do Tempo interferir em nossas atitudes cotidianas.
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Por Daniel De Nardi
A meditação nos ensina que para expandirmos a consciência devemos manter nossa atenção focada, o maior tempo possível, num único ponto, seja ele uma imagem ou um som. Nossa mente, dispersa por natureza, e por isso mesmo ávida por novidades, fará de tudo para fugir desta estabilidade que para ela não parece nada agradável.
O meditante deve estar muito convicto do que quer, para que quando as dispersões tentarem tirá-lo do foco inicial possa percebê-las rapidamente e retornar a fazer o que se propôs no início do exercício. Lembranças, falsas prioridades, preocupações e compromissos aparentemente inadiáveis, invadirão sua consciência com o objetivo de desviá-lo da busca de um bem-estar maior. Estando o tempo todo atento a esses truques da mente, ele não embarcará nas distrações e permanecerá mais tempo fazendo somente o que se determinou.
O início de uma meditação é como um jogo de pega-pega no qual, a mente dispersa e foge e você quando percebe a traz de volta sem se deixar envolver com os pensamentos alheios. Vencida a primeira etapa, embarcamos numa experiência gratificante e enriquecedora. Pois essa fuga da profundidade também acontece no nosso dia-a-dia. Seja na leitura de um livro que nunca conseguimos terminar, enquanto eu escrevo e reescrevo este texto, ou num bate-papo que ao começar a ganhar profundidade alguém se atravessa e pergunta “O que vamos fazer hoje à noite?”
Conta-se que quando Sartre e sua turma de filósofos existencialistas invadiam o Café D`Flore para conversar, eles dividiam-se em duplas para que conseguissem realizar conversas à deux mais significativas. Pois estas escapadas do foco principal acontecem muitas vezes quando estamos construindo um empreendimento que demande ações repetidas por um longo período de tempo. Não agrada à nossa mente ir muito fundo nas questões, ela prefere a superficialidade por onde pode transitar com mais rapidez e manter atualizado o seu insaciável desejo de diversificação.
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ASSIM FALOU DE NARDI
Por Daniel De Nardi
Não é por acaso que este é considerado um dos principais respiratórios do repertório yôgi. Entendamos como a respiração alternada contribui para que o praticante melhore dois dos mais importantes processos para alcançar a meta do Yôga:
1) Estabilização da consciência;
2) Ampliação da energia sexual.
Para evoluir no samyama, técnica que engloba dháraná, dhyána e samádhi, é necessário que o sádhaka aprenda a aquietar seus pensamentos, focando-se em um único ponto. O nadí shôdhana contribui para isto, pois ao fazer inspirações e expirações lentas, conforme a descrição do exercício sugere, o praticante começará a estabilizar suas emoções e posteriormente reduzirá suas dispersões mentais. O meu monitor Charles Maciel, sempre brinca com o gesto característico do nadí shôdhana, quando alguém fica nervoso ou está agitado demais. Se além da respiração lenta associarmos um ritmo, potencializaremos a concentração. O ser humano é arrítmico por natureza e por isso, tem tanta dificuldade de permanecer focado em qualquer coisa que faça por muito tempo. Respiramos de maneira instável, nos movimentamos o tempo todo e se não somos treinados, não conseguimos nem mesmo batucar o ritmo de uma música simples até o final dela. Quando passamos a manter um tempo pré-determinado em cada fase da respiração, rompemos com essa tendência dispersiva e passamos a cadenciar nosso tempo biológico, o que contribui e muito para a estabilidade mental.
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